sexta-feira, 1 de julho de 2016

O maior bem que podemos fazer, Peter Singer

Peter Singer é um dos mais conhecidos filósofos contemporâneos. O seu trabalho incide sobre diversos aspectos da ética no mundo contemporâneo. É um defensor dos direitos dos animais e, se nem sempre conseguimos ter o rigor existencial que seguir as suas premissas pressupõe, a limpidez e honestidade intelectual do seu raciocínio são uma mais-valia para qualquer leitor. Nos últimos anos, Singer tem-se notabilizado pelo seu papel central na teorização e defesa do altruísmo eficaz. O argumento central é o de que se temos o suficiente para assegurar as nossas necessidades temos o dever moral de ajudar que não o tem. A visão de Singer é abrangente. A sua reflexão é centrada nos casos de pobreza endémica, isto é, situações de tal forma graves que um homem ou mulher médio, por mais esforçado e lutador que seja, dificilmente conseguirá reverter as suas condições de vida. Está em causa sobretudo o apoio às populações africanas e asiáticas mais carenciadas. Mas, para além, da vontade de ajudar, Singer coloca outras questões essenciais: como ajudar. Como o ouvi dizer numa palestra que circula na internet (podem ver aqui) trata-se de usar a coração e a cabeça. E, em particular, quando se trata de fazer donativos em dinheiro, Singer põe o dedo na ferida ao sustentar que se devem canalizar os mesmos para as entidades que efectivamente mostram obter os melhores resultados. Não se trata, pois, de caridadezinha, mas sim do compreender de que modo cada um de nós, à sua escala e sem alterar de forma drástica as suas condições de vida, pode ajudar o próximo a modificar as suas. Este novo livro retoma e desenvolve ideias que já tinham sido desenvolvidas em momento anterior, designadamente no livro A vida que podemos salvar. As explicações dadas são claras e objectivas, apoiadas em factos e números. E ganham ainda maior interesse face à crise dos refugiados que vivemos actualmente. Se muitas pessoas fogem dos conflitos armados, também é sabido que outras vêem em busca de melhores condições de vida, face à falta de condições dos seus países de origem. Devo dizer que a leitura da primeira obra, alterou a minha percepção destas matérias e teve impacto directo na minha actuação. Porque a filosofia, como bem sabiam os gregos e nós não devemos esquecer, não é um exercício teórico lúdico, mas sim uma reflexão que fazemos e que se destina a decidir como nos vamos posicionar na vida. 

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