sábado, 20 de agosto de 2016

Rabindranath Tagore dixit





                                                               in A Asa e a Luz, Assírio e Alvim, pág. 114

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Craig Russell, Irmão Grimm


Este é um policial que tem como ponto de partida a recolha de contos de fadas levada a cabo pelos irmãos Grimm. É sabido que essas narrativas têm um sentido muito diverso do que lhes foi dado pela versão açucarada de Walt Disney. As diversas versões dos contos de fadas eram histórias de alerta e aviso, condensando a sabedoria popular e também os seus medos. O seu sentido real é oculto e tem sido objecto de discussões desde há séculos. Bruno Bettelhem fez a ligação destes contos é sexualidade na obra A psicanálise dos contos de fadas. Mas o alcance das narrativas em apreço vai muito para além desse aspecto. Neste policial os contos de fadas são bem introduzidos na acção, sendo a génese de um conjunto de crimes que ocorrem em Hamburgo e cuja solução cabe ao comissário Jan Fabel e à sua equipa. A escrita é seca, segura e directa. As personagens têm conteúdo e capacidade de introspecção. Acompanhamos as suas reflexões à medida que avançamos na acção principal.
A meu ver, um policial tem de ser honesto, isto é, dar as pistas ao leitor para ele encontrar o criminoso. É um jogo entre o autor e quem o lê. Neste caso, as pistas estão lá. Não sendo um livro extraordinário este Irmão Grimm deixa marca. A construção da narrativa e a pesquisa feita aos contos de fadas e ao modo como os mesmos podem ser percepcionados na nossa sociedade são aspectos de que gostei muito.