segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O fim é o meu princípio, Tiziano Terzani

Se quisermos levar a cabo uma apresentação simples podemos dizer que Terzani foi um jornalista e escritor italiano que viajou pelo mundo, com um interesse especial pelo Oriente, tendo escrito sobre isso mesmo. Foi casado e deixou dois filhos. Escreveu vários livros, sendo entre nós mais conhecido Disse-me um adivinho, relato de um ano de viagens pelo Oriente, usando todos os meus de transporte menos os aéreos. Esta é a versão breve, claro. Bem mais interessante é mergulhar na sua vida pelas suas próprias palavras. É isso que este livro faz.
         Já perto da morte Terzani manteve longas conversas com o filho, relatando-lhe a sua infância em Itália, os sonhos que teve e o caminho que percorreu. Terzani teve uma vida rica em acontecimentos e soube aproveitá-la. Nasceu pobre, estudou e trabalhou, tendo concretizado o sonho de ir viver para a China, seu ideal político. Sofreu aí uma forte desilusão, ao perceber como funcionava o sistema comunista. Criou também a convicção de que a única revolução verdadeira é aquela que cada homem faz dentro de si. E isso foi confirmando ao longo da sua vida, assumindo aí particular relevo a sua estadia na Índia. Terzani não adopta a postura deslumbrada de tantos ocidentais quanto a esse país, cuja pobreza e sistema de castas não podem deixar de marcar quem o visita (mesmo hoje, quando aquele último, foi oficialmente abolido). Chama mesmo à atenção para o perigo das viagens à India feitas por pessoas impreparadas que facilmente se deixam engolir por um país em que tudo é grande e excessivo. Aliás, neste aspecto a sua descrição recorda o relato de Ryzard Kapuscinski no seu livro Travels with Herodotus, onde também é salientada a conveniência de preparação prévia para quem queira conhecer este país com milhões de almas e milhões de deuses que encarnam em simultâneo o bem e o mal. Ainda assim, é evidente a importância que a experiência indiana teve na vida de Terzani. São ainda relatadas outras vivências orientais, designadamente a sua passagem pela Tailândia e pelo Vietname.
         A última parte do livro é uma espécie de testamento espiritual do escritor italiano. Muito descrente da sociedade contemporânea a sua mensagem final é sobretudo um apelo ao sonho, à imaginação e à capacidade de cada um forjar o seu próprio destino. No fundo, um elogio da auto-confiança e do não conformismo. Uma mensagem perfeitamente consentânea com quem acreditava que cada homem (ou mulher) se salva apenas a si mesmo (a). 

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