quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Susan Neiman

A primeira vez que ouvi falar de Susan Neiman foi num programa de rádio há mais de 10 anos. A autora estava em Portugal a lançar O mal no pensamento moderno – Uma história alternativa da filosofia (ao que sei, o único dos seus livros traduzido em português). Na altura, comprei a obra e li algumas partes. Mas só no ano passado numa livraria em Londres tornei a encontrar obras de Neiman. Em particular, este Why grow up? A primeira observação a fazer está relacionada com um aspecto instrumental, mas não isento de importância. O livro surge publicado numa colecção de livros de bolso, maximizando o acesso do grande público. Este é um dos aspectos que me cativa na cultura anglo-saxónica. A filosofia não é assunto de alguns, poucos, iluminados. É antes uma tarefa de todos, pois uma vida reflectida é um ponto essencial para uma vida bem vivida (qualquer que seja o entendimento que tenhamos sobre esta última questão).
         Why grow up? fala precisamente sobre o processo de amadurecimento que, não termina finda a adolescência, mas prossegue ao longo de toda a nossa vida. Pelo menos quando as coisas correm bem. Numa linguagem simples, mas não simplista, Neiman faz uma introdução histórica e comparatística, convocando um dos seus filósofos de eleição: Kant. Depois, introduz as coordenadas do seu pensamento sobre os instrumentos para nos tornarmos adultos: estudo, trabalho e viagens, explorando o que esperar de cada um destes vectores. Isto sem esquecer as características da sociedade actual, marcada pela superficialidade e infantilização constante dos cidadãos, feitas por eles próprios e pelas forças sociais. No limite, aliás, é contra estas que amadurecemos. Cidadãos que pensam por si não se distraem, como bem salienta a autora, com pão e circo. E, no fundo, quem quer verdadeiramente governar cidadãos adultos? 

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