quinta-feira, 10 de novembro de 2016

À volta dos livros


  

          Por que lemos?
         A pergunta tem tantas respostas, quantos os leitores. E, provavelmente, o mesmo leitor não responde de modo idêntico todos os dias.
         Para mim, ler é uma conversa desafiante. Eu, o livro e, por via deste, o autor ou autora. Não gosto de ler o que já sei. Aprendi a fazer este exercício: pelo menos uma vez por mês escolher um livro improvável. Pelo seu autor, pelo tema, pelo tipo de literatura. Por regra, as minhas escolhas literárias conduzem ao romance, clássico ou contemporâneo e ao ensaio, polvilhados aqui e ali com alguma poesia em língua portuguesa.
        Por isso, o desafio que me lanço de vez em quando é sair desses caminhos. Após anos de interregno juntei-me há três meses a uma nova comunidade de leitores. Também por essa via as escolhas literárias ganharam um novo contributo. Mas isso não impediu que prosseguisse com o meu método próprio de alargar horizontes (ou, pelo menos, tentar). Ler um livro de BD, género literário que não faz parte das minhas escolhas óbvias, uma obra de divulgação científica, um autor totalmente desconhecido nacional ou estrangeiro. Neste último caso, de preferência de uma latitude longínqua. Procuro seguir o meu instinto, mas também beneficio de sugestões de amigos. Na foto estão algumas das leituras “desafiantes” deste ano. Cada uma equivale a uma conversa com alguém muito diferente de mim e em cujo percurso não senti o eco dos meus passos prévios. Um pequeno novo mundo. Tenho de ser franca, nem todas foram apostas inteiramente conseguidas, mas não há nenhuma de que me arrependa. Quanto mais não seja (como sucedeu com a colectânea de poesia coreana traduzida que comprei) ajudaram-me a perceber os limites da minha mundividência. 

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