segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Adonis em Lisboa


Pequeno Auditório CCB

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016, Adonis esteve no Pequeno Auditório do CCB para falar sobre a sua poesia e o que mais lhe ia na alma. Na semana em que Donald Trump ganhou as eleições nos EUA, o seu nome não foi dito. O mesmo não se pode dizer da história e política externa do seu país. Adonis, pseudónimo Ali Ahmad Said, acompanhado entre outros, de Nuno Júdice (que traduziu para português os poemas que compõe a antologia Arco-Íris do Instante), falou sobre a poesia árabe e o efeito do islamismo na mesma. Revelou também a origem do seu pseudónimo, encontrado ainda no início da adolescência. Mas a conversa foi muito mais longe. Falou-se sobre o momento que o mundo vive, com especial incidência no drama de países árabes, como é o caso da Síria (de onde é natural o poeta). Sobre o silêncio dos intelectuais europeus que a tudo assistem sem uma palavra (este mutismo, à escala global, é também denunciado por Noam Chomsky no seu recente Quem governa o Mundo?). E também sobre a falta de liberdade do mundo actual. Adonis disse-se optimista para o futuro, mas não a curto prazo. Aliás, foram amargas as suas palavras (embora realistas) quanto ao imenso poder dos EUA um país que, crê, nunca teve qualquer preocupação com ideias de liberdade. A começar pelo modo como aquela nação nasceu, destruindo a civilização que encontraram no continente americano. Adonis não rejeitou a sua responsabilidade em apontar caminhos alternativos ao mundo que vivemos. Esse caminho parece-me bem difícil de trilhar, pois pressupõe que a Europa se recupere enquanto realidade política e cultural, assumindo o seu papel na luta pelos direitos humanos. Sabemos como isso está a correr. Para além da conversa (que soube a pouco, face à inteligência, simpatia e amplitude de pensamento de Adonis) interessa a obra do poeta. Ainda estou no início dessa descoberta, mas ficaram-me os olhos nesta verdade “Não podes ser lanterna se não levares a noite às costas.” E assim é, de facto.

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