sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dito em voz alta, entrevistas sobre literatura, isto é, sobretudo a Manuel António Pina






         São doze entrevistas concedidas entre os anos de 2000 e 2012 recolhidas num livro. Onde se lêem coisas assim: 

         "As pessoas precisam cada vez mais, em tempos usurários como os nosso, de algo que possa dar algum sentido à própria existência. Não passa pela cabeça de ninguém que a vida possa apenas ser comércio, usura, ganhunça isto é, que a vida seja só vidinha. Acho que a popularidade da poesia radica na mesma necessidade de respostas que leva muita gente a procurar as religiões, num mundo subitamente órfão de ideologias (as ideologias funcionam como sistemas de respostas mais ou menos prontas a usar). A poesia seria então uma espécie de religião laica, pois também a sua vocação essencial é a de "religare". Infelizmente, a poesia tem poucas respostas para dar; guarda, no entanto, perguntas que desde sempre inquietam o coração dos homens: a morte, o amor, o tempo. Já é alguma coisa num mundo em que a pergunta quase exclusiva é: Quanto custa?" 

                                                                                     Entrevista de Sérgio Almeida, pág. 89.  

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