quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Ler Lolita em Teerão, Azar Nafisi


     Azar Nafisi foi professora de literatura na Universidade de Teerão. A subida ao poder dos fundamentalistas islâmicos naquele país acabou por conduzir ao seu afastamento, tal como sucedeu a outros membros do corpo docente e intelectuais iranianos. Ler Lolita em Teerão foi escrito depois da autora regressar aos Estados Unidos da América (onde tinha estudado). É o relato de um tempo de liberdade aprisionada. Nafisi funda um clube de leitura com antigas alunas, que se mantém no mais absoluto secretismo. É o retrato de cada uma delas que nos oferece, com um relato na primeira pessoa das dificuldades e do desespero de um cidadão comum que vê a sua liberdade a desaparecer até não se mais do que uma recordação. E é também um testemunho do que a leitura pode ser para quem ama os livros. Só quem está nesta situação consegue comungar do medo de ver confiscados os livros que tem ou da pressa em adquirir vários exemplares da mesma obra, antes que desapareçam para sempre do mercado.
         Ouvi falar deste livro pela primeira vez há vários numa publicação francesa. Que tenha sido traduzido para português foi algo que me deixou muito feliz. Por estes dias tornei a ler as suas páginas, na sequência de conversas no meu clube de leitura. Um clube muito diferente do de Nafisi, porque se reúne em liberdade. E muito parecido, na medida em que os seus membros também não abdicam do prazer de ler o que lhes apetece. 

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