segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O paraíso são os outros, valter hugo mãe

Não sei se será a influência das telenovelas de outros tempos, com as suas paixões contrariadas e relatos de amores aflitivos, mas há por aí a tese de que o amor é difícil. É complicado, fugidio e magoa. Ou, como cantou alguém cujo nome não me ocorre, love hurts. Talvez isto explique os números de vítimas de violência doméstica que durante anos se mantêm com o agressor confundindo posse e amor. Ou o caso, menos contundente mas não menos dramático, dos que vão abolorecendo por dentro, adiando o amor em nome de sucedâneos imaginários ou virtuais que lhes esvaziam os dias.
         Não li quase nada de valter hugo mãe, mas este livro, só pelo título que contraria o grande papa do existencialismo, caiu-me no goto. As ilustrações de Esgar Acelerado são uma maravilha de cor e imaginação. E o texto de valter hugo mãe está cheio de verdades simples que muitos insistem em ignorar. Como esta “O amor precisa de ser uma solução, não um problema. Toda a gente me diz: o amor é um problema. Tudo bem. Posso dizer de outro modo: o amor é um problema mas a pessoa amada precisa de ser uma solução.” A protagonista do livro é uma menina que observa os casais. Novos e velhos, enamorados ou nem tanto. Festivos ou discretos. O facto da narradora ser uma criança não significa que este seja (apenas) um livro infantil. Devia ser de leitura obrigatória para todos os adultos. 

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