domingo, 25 de dezembro de 2016

Um cântico de Natal, Charles Dickens


          Subjacente ao Natal (para lá do mito religioso) estão crenças de renascimento e renovação enraízadas na natureza humana e cuja origem remota às religiões pagãs. Um conto de Natal de Dickens exemplifica isso mesmo. Um homem-  Ebenezer Scrooge - vergado pelos anos e pelas desilusões e cansado das hipocrisias dos seus semelhantes, recusa-se a participar nos festejas. Não vê neles sentido e prefere a companhia do dinheiro. Ainda que nenhum de nós admita que Scrooge é um exemplo a seguir, é fácil compreendê-lo. Vivemos numa sociedade egoísta, onde o ter se sobrepõe ao ser. O Natal é para muitos o exacerbar do consumismo. E quem tem de atravessar filas de trânsito nas grandes cidades, sabe bem como é difícil manter o coração puro. O que esta história de Dickens tem de maravilhoso, para mim é a redenção de Scrooge. O confronto com a sua história de vida e a percepção de que, apesar das imperfeições de todos nós, as pessoas são o que o mundo tem de melhor. É nessa compreensão que pode alicerçar-se um espírito de Natal que vá para além do dia 25 de Dezembro e acompanhe a rotação anual do planeta. 

1 comentário:

  1. Um livro perfeito para esta época.
    Adoro :)
    Boas leituras e bom ano de 2017

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