segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Adeus Europa



       Hoje é um nome um pouco esquecido. Mas houve um tempo em que Stefan Zweig era um autor com fama mundial, apreciado pela crítica e pelo público. É vasta a lista de biografias que escreveu, de figuras tão distintas como Maria Antonieta, Erasmo de Roterdão ou Honoré de Balzac. Foi também um romancista de renome e ainda hoje o seu Vinte e quatro horas na vida de uma mulher vai sendo reeditado, apesar do relativo ocaso da sua obra. Para além disso, escreveu o belíssimo: O mundo de ontem: Recordações de um Europeu. O filme actualmente em exibição nas salas de cinema portuguesas fala precisamente dos últimos anos de Zweig, após ter abandonado o seu país nas vésperas da II Guerra Mundial. Foi bem acolhido na América do Sul, em particular no Brasil. Um amor que retribuiu em Brasil, País do Futuro.
         Neste filme vemos como a fama e o acolhimento que recebeu não serviram de lenitivo face à certeza de que o mundo à sua volta estava a mudar para sempre e não para melhor. A cena em que ouve o Danúbio Azul a ser tocado de forma desajeitada, mas com empenho, é para mim o momento chave do filme.
         As circunstâncias da morte de Zweig permanecem algo misteriosas. Mas o que o filme nos mostra com uma doçura discreta é a agonia de um homem a quem nem a felicidade pessoal consegue resgatar a esperança. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Retratos da Índia


          Foi numa aventura dos Cinco que conheci a Índia. Passaram mais de 30 anos até eu própria ter a oportunidade de por os pés naquele país e de o conhecer para além dos livros. Apesar de não ter sido uma viagem longa foi marcante e deixou-me a certeza de que quero voltar. Há alguns dias atrás caiu-me nas mãos um outro livro sobre aquele país tão duro e tão mágico. Namasté – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti é um relato de viagem de Paulo Teia, sacerdote jesuíta. Os protagonistas são indianos dalits e adivais, membro das castas mais baixas da Índia. As castas que foram abolidas na lei, mas que continuam a reger a vida daquele país. São retratos reais e duros porque, apesar de protegerem os fotografados (todos voluntários), não podem esconder a miséria em que aqueles vivem. Mas também a sua profunda beleza. Não se trata de uma apologia da miséria vestida em tons coloridos. O livro é uma demonstração de que na vida nos podem negar muita coisa, mas não a nossa dignidade. Essa, ninguém no-la pode tirar.
         Que tem o livro dos Cinco com tudo isto?
         Talvez pouco. Recordei-me por estes dias da aventura dos famosos primos e do seu cão nas ruas indianas protegendo o rubi Akbar e tive vontade de reler o livro. Está lá o Taj Mahal, o trânsito caótico e a agitação das ruas. Falta-lhe tudo o mais, como talvez já fosse de esperar. As pessoas que trabalham e vivem nas ruas, os pedintes, o ambiente quase febril que agita o país, a humidade e o calor abrasadores e as dificuldades em comprar uma garrafa de água que nos mereça confiança. E falta o sorriso dos miúdos que desconhecem ainda a dureza do destino que lhes está reservado, apesar de já o estarem a viver. Há livros que, apesar de lidos na infância, nos acompanham a vida toda. Não é o caso deste. Mas não faz mal, cumpriu o seu papel. Já o do Paulo Teia vai estar comigo para sempre. 








sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017



                                                       In E como ficou chato ser moderno, Luís Filipe Cristóvão

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Teresa Rita Lopes em entrevista

Muito mais do que uma especialista e divulgadora de Fernando Pessoa. Mas também uma especialista e divulgadora de Fernando Pessoa. Numa entrevista com José Jorge Letria perfeita para encerrar a noite ou começar o dia, Teresa Rita Lopes dá-nos a conhecer a sua vida, não apenas na academia, mas também fora dela: a infância, as primeiras leituras, a PIDE, o exílio e a escolha de Pessoa, entre outros temas. Esquecemo-nos de que estamos a ler: parece que estamos na sala da Sociedade Portuguesa de Autores a participar na conversa. E temos pena quando termina pois muito mais haveria a dizer. A melhor notícia é que não se trata de um livro isolado: Urbano Tavares Rodrigues, Eduardo Lourenço e Cruzeiro Seixas, entre outros, fazem parte do lote dos entrevistados. Um encontro com a história viva do nosso país.