segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Adeus Europa



       Hoje é um nome um pouco esquecido. Mas houve um tempo em que Stefan Zweig era um autor com fama mundial, apreciado pela crítica e pelo público. É vasta a lista de biografias que escreveu, de figuras tão distintas como Maria Antonieta, Erasmo de Roterdão ou Honoré de Balzac. Foi também um romancista de renome e ainda hoje o seu Vinte e quatro horas na vida de uma mulher vai sendo reeditado, apesar do relativo ocaso da sua obra. Para além disso, escreveu o belíssimo: O mundo de ontem: Recordações de um Europeu. O filme actualmente em exibição nas salas de cinema portuguesas fala precisamente dos últimos anos de Zweig, após ter abandonado o seu país nas vésperas da II Guerra Mundial. Foi bem acolhido na América do Sul, em particular no Brasil. Um amor que retribuiu em Brasil, País do Futuro.
         Neste filme vemos como a fama e o acolhimento que recebeu não serviram de lenitivo face à certeza de que o mundo à sua volta estava a mudar para sempre e não para melhor. A cena em que ouve o Danúbio Azul a ser tocado de forma desajeitada, mas com empenho, é para mim o momento chave do filme.
         As circunstâncias da morte de Zweig permanecem algo misteriosas. Mas o que o filme nos mostra com uma doçura discreta é a agonia de um homem a quem nem a felicidade pessoal consegue resgatar a esperança. 

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