quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Retratos da Índia


          Foi numa aventura dos Cinco que conheci a Índia. Passaram mais de 30 anos até eu própria ter a oportunidade de por os pés naquele país e de o conhecer para além dos livros. Apesar de não ter sido uma viagem longa foi marcante e deixou-me a certeza de que quero voltar. Há alguns dias atrás caiu-me nas mãos um outro livro sobre aquele país tão duro e tão mágico. Namasté – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti é um relato de viagem de Paulo Teia, sacerdote jesuíta. Os protagonistas são indianos dalits e adivais, membro das castas mais baixas da Índia. As castas que foram abolidas na lei, mas que continuam a reger a vida daquele país. São retratos reais e duros porque, apesar de protegerem os fotografados (todos voluntários), não podem esconder a miséria em que aqueles vivem. Mas também a sua profunda beleza. Não se trata de uma apologia da miséria vestida em tons coloridos. O livro é uma demonstração de que na vida nos podem negar muita coisa, mas não a nossa dignidade. Essa, ninguém no-la pode tirar.
         Que tem o livro dos Cinco com tudo isto?
         Talvez pouco. Recordei-me por estes dias da aventura dos famosos primos e do seu cão nas ruas indianas protegendo o rubi Akbar e tive vontade de reler o livro. Está lá o Taj Mahal, o trânsito caótico e a agitação das ruas. Falta-lhe tudo o mais, como talvez já fosse de esperar. As pessoas que trabalham e vivem nas ruas, os pedintes, o ambiente quase febril que agita o país, a humidade e o calor abrasadores e as dificuldades em comprar uma garrafa de água que nos mereça confiança. E falta o sorriso dos miúdos que desconhecem ainda a dureza do destino que lhes está reservado, apesar de já o estarem a viver. Há livros que, apesar de lidos na infância, nos acompanham a vida toda. Não é o caso deste. Mas não faz mal, cumpriu o seu papel. Já o do Paulo Teia vai estar comigo para sempre. 








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