sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um hotel com história


Hotel Continental Ho Chi Minh (Vietname) 
Situado numa das ruas principais – a Dâng Khoi - de Ho Chi Minh, o Hotel Continental continua a ser uma referência naquela cidade de Vietname. Antes da revolução comunista triunfar Ho Chi Minh era Saigão e a Rua Dânh Khoi era a Rue Catinat. O Hotel Continental era já o Hotel Continental. Para além de ser lindíssimo é uma referência na história da literatura. Graham Greene escreveu ali O Americano Tranquilo, Duras referiu-o por diversas vezes nas suas obras (por exemplo, O Amante da China do Norte) e Tiziano Terzani hospedou-se nele durante a guerra do Vietname, tal como outros correspondentes internacionais. Tudo isso parece esquecido hoje na cidade vietnamita. Enorme, recheada de cartazes do líder que lhe deu o nome e que convivem pacificamente com lojas das principais marcas de luxo mundiais, Ho Chi Minh fervilha de actividade. O passado colonial emerge aqui e ali. Por exemplo, neste hotel e no Rex (a poucos metros, era outro poiso dos correspondentes da imprensa internacional), na igreja de Notre Dâme (inspirada na homónima francesa) e no posto dos correios construído à frente daquela última.
 Mas dos escritores ocidentais que referi, nada se diz. Mesmo de Duras, nascida na antiga Indochina francesa, apenas encontrei uma edição em inglês de O Amante. Apagados da vida literária de uma cidade onde se encontram já os best-sellers sentimentais do Ocidente (incluindo Nicholas Sparks) e obras panegíricas sobre o grande líder. Mas não faz mal. Quem conhece o mapa literário não precisa de sinais para chegar ao sítio que lhe interessa. E o Hotel Continental, com o seu restaurante Le Bourgeois, ali se mantém, com uma leve nota de subversão. 

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