terça-feira, 26 de setembro de 2017

O mistério de Maria do Céu, Alice Ogando



Encontrei este livro num alfarrabista e comprei-o porque gostei da capa e me intrigou o título. Afinal, que mistério poderia ter uma menina com um ar tão puro e casto? Foi só há uns dias atrás que me dediquei à sua leitura. É um livro editado nos anos 40, sendo a autora portugesa. A história é simples: uma rapariga da aldeia (Maria do Céu) chega a Lisboa para reencontrar o seu amigo de infância, Rui S.Diogo. Ela é uma órfã pobre e ele um herdeiro que se julga mais rico do que efectivamente é. Apesar de Rui S.Diogo desbaratara sua fortuna e viço em Lisboa não é destituído de carácter e o reencontro com Maria Alice fá-lo repensar as suas escolhas de vida. O resto, é o habitual conjunto de encontros e desencontros até ao final feliz. 
Apesar da previsibilidade do enredo, esta foi uma leitura interessante. Primeiro, aqui e ali encontramos umas notas de desconformidade com o guião esperado. Maria do Céu tem espírito e sabe dar respostas à altura e apesar do ambiente casto que envolve a narrativa há, de vez em quando, uns apontamentos de sensualidade. Bem disfarçados e medidos, mostrando a valia da escritora. Por outro lado, há aqui uma homenagem a uma oposição clássica entre o campo/aldeia (lugar de verdade, de pureza e de uma vida com sentido) e a cidade (onde habitam a perdição e a falsidade) típica da literatura portuguesa. Esta oposição encontramo-la em A Cidade e as Serras de Eça e na obra de Camilo, por exemplo A queda de um anjo. Uma nota ainda para Alice Ogando. Não a conhecia, mas sei agora que foi uma escritora, tradutora e poetisa portuguesa. Caída no esquecimento, mas a desenvoltura com que constrói uma história algo comum faz-me desejar conhecer mais da sua escrita.  

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