sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Helena Barbas, Madalena - História e Mito



Maria Madalena é desde há séculos uma figura que concita curiosidade e dúvidas. Desde saber se existiu efectivamente até dilucidar qual o seu papel na vida de Jesus Cristo, são muitos os estudos levados a cabo. Na imaginação popular sempre esteve presente, surgindo em contos, romances, peças de teatro, quadros, esculturas e filmes.
Dan Brown, com o Código Da Vinci, recuperou algumas teses que dão a Maria Madalena um papel bem distinto do que lhe foi reservado pela iconografia tradicional, que a identificou como uma prostituta que se converteu e regenerou, seguindo Jesus Cristo. Brown, atribui-lhe um papel distinto, como esposa de Cristo. E a verdade é que não está só. Antes e depois dele, são muitos os que sustentam que Maria Madalena era um mulher rica (identificando-a alguns como sendo perfumista) que seguiu Jesus Cristo (com ou sem projecto amoroso à vista) e há também quem defenda que era uma sacerdotisa de um culto antigo (pagão).
Helena Barbas, professora do Departamento de Estudos Portugueses da Universidade Nova, dá com este livro o seu contributo para o estudo da questão, no seguimento de trabalho académico já desenvolvido.
O livro está bem escrito (mesmo um leigo, como é o meu caso, consegue acompanhar a exposição com facilidade) e surge fortemente documentado (o que demonstra o rigor da investigação), iniciando-se com a análise dos textos sagrados e avançando pela história da Europa ao longo dos séculos, até chegar ao século XX. Tem também informação sobre o modo como Maria Madalena foi entendida e representada no nosso país ao longo dos séculos.
Este estudo não inflama as imaginações românticas, diga-se. Mas é uma leitura interessante, com raízes na história, várias formas de arte e psicanálise (será a figura de Maria Madalena um arquétipo junguiano?) que constitui uma leitura indispensável para quem se interessa pela matéria. Tem também uma vasta bibliografia, ponto de partida para eventuais ulteriores investigações que os leitores e leitoras queiram fazer. 

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