quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Patricia Highsmith, O desconhecido do Norte Expresso



Dois homens que não se conhecem de parte alguma coincidem na mesma carruagem de comboio. Cada um tem o seu problema. Um deles quer-se casar, mas já é casado e teme as exigências da esposa para aceder ao pedido de divórcio. O outro está separado da sua fortuna pela sua pouco compreensiva mãe. O que parece ser uma banal conversa de viagem, talvez aqui e ali um pouco incómoda, acaba por revelar-se parte de um plano para cometer o crime perfeito.
É este o ponto de partida deste livro do livro de Patrícia Highsmith, escritora inglesa nascida em 1921 e falecida em Janeiro de 1995. Dizer que escreveu policiais ou dizer que este O desconhecido do Norte Expresso é um policial é o mesmo que dizer que Nova Iorque é uma cidade muito grande. Verdadeiro, sem dúvida. Mas longe de descrever realmente a situação. Highsmith não escreveu apenas policiais, elevou este tipo de livro a toda uma categoria distinta. Não se trata apenas de pressentir a prática de um crime ou de deslindar quem o cometeu. Neste livro de que escrevo hoje, como em outras obras da autora, há um ambiente de tensão psicológica imbatível e que se renova a cada leitura. Mais ainda, através da sua personagem Ripley (que tem uma série de livros autónoma) Patrícia Highsmith criou um novo tipo de herói, que está longe de ser um bom rapaz que defende valores com que o leitor se identifica. Voltando a este livro, Highsmith descreve a forma como  protagonista é surpreendido e envolvido em acontecimentos, criando-se à sua volta uma teia de que não se consegue libertar. Acompanhamos a sua luta para demonstrar que os factos o ultrapassaram perante um enredo que, embora num primeiro momento possa parecer inverosímel, tem uma lógica própria que, apenas quando aceite, pode ser destruída. 
O desconhecido do Norte Expresso está na génese de um filme com o mesmo nome realizado por Alfred Hitcthcock com banda sonoro de Dimitri Tiomkin. Será preciso dizer mais alguma coisa? 

     P.S.: E esta capa das edições Vampiro também é qualquer coisa de maravilhoso, pondo de lado muito do que se faz hoje nessa área. 

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