quarta-feira, 4 de outubro de 2017

William Shakespeare, O Mercador de Veneza



    Shakespeare é em si mesmo um mistério. Quem foi, como conseguiu escrever tantas e tão diversas peças e como conhecia tão bem a alma humana? Tudo perguntas para estudiosos do problema. A mim, chegam-me as peças, actuais apesar dos séculos que passaram. Esta semana, com o ambiente conturbado que continua a viver-se no mundo e dificuldades inerentes à minha vida, lembrei-me de O mercador de Veneza. Gosto da cidade italiana, claro. E tenho uma predilecção pela época histórica em que a acção decorre. Mas para além disso seduz-me a figura de Pórcia. Não pode dizer-se que Shakespeare tenha sido feminista (ainda que alguns aventem que pode ter sido uma mulher). Mas é indubitável que nas suas obras as personagens femininas têm consistência, não estão ali apenas para compor o remalhete. Pórcia é a mais sagaz das personagens de O Mercador de Veneza e a que leva Shylock de vencida. Mas recordo também Catarina de A fera amansada e Cleópatra, da peça com o seu nome e o de Marco António. A rainha egípcia foi e continua a ser vítima da imaginação romântica que esqueceu as suas qualidades como chefe de estado, privilegiando a sua beleza e capacidade de sedução. Mas Shakespeare faz-lhe justiça, mostrando a mulher corajosa que foi, bem mais capaz de fazer frente ao destino do que o romano Marco António.

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