quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Eça de Queirós, Cozinha Arqueológica



          Quinhentos e sessenta jantares, duzentos e trinta e dois almoços e cento e setenta e seis ceias. São estas as cifra da contabilidade queirosiana em matéria gastronómica, conforme escreve Loy Rolim, no prefácio do livro que vos trago hoje. Tais números dizem muito e já deixam antever que pela Eça de Queirós a comida estava longe de ser um assunto secundário. Isso mesmo é visível quando lemos as descrições detalhadas, capazes de fazer crescer água na boca, de tantas refeições nas suas obras. Como esquecer a monumental ceia que Artur Corvelo pagou à "nata" da intelectualidade portuguesa em A Capital? Ou as ceias que Luísa partilhava com o seu Jorge depois de ter aprendido com o primo Basílio as alegrias do amor sensual? Ou a refeição que Vítor, Genoveva e Dâmaso Salcede partilharam com outros convivas antes deste último ser "despedido" da Rua das Flores? Ou a redescoberta dos prazeres da gastronomia (e da alegria de viver) por Jacinto em A Cidade e as Serras? São apenas alguns exemplos do génio e do gosto de Eça de Queirós que me vieram à memória quando vi este pequeno opúsculo à venda. No artigo Cozinha Arqueológica (integrado nas Notas Contemporâneas) Eça louva a antiga cozinha grego e latina, recordando os seus grandes mestres entretanto esquecidos e os pratos favoritos de alguns imperadores. É um texto pequeno, mas cheio de informação. No final, até deixa umas receitas culinárias, extraídas de um livro de cozinha Apício, lendário cozinheiro romano. Para os mais corajosos ou, simplesmente, mais curiosos da matéria! 
       

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