quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Madame de Stael, Francine de Plessix Gray


É um livro pequeno, cheio de informação e escrito de um modo que torna a sua leitura compulsiva. Diria que um dos aspectos mais impressionantes no modo como está redigido é a capacidade de condensar tanta informação e de a transmitir de uma forma leve e ágil. Quase que acreditamos que Madame de Stael vai entrar pela nossa casa, saída das páginas deste livro, tal a vivacidade com que a sua história nos é narrada. Não sei se Madame de Stael foi a primeira mulher moderna, como é escrito no subtítulo deste livro. Mas seguramente teve uma vida cheia em que procurou realizar-se nas diversas vertentes da existência humana. 
Nascida e criada num meio privilegiado do ponto de vista económico, social e cultural, os progenitores e, em particular, o pai, foram figuras marcantes no seu desenvolvimento. Germaine (nome de baptismo) casou cedo com um diploma sueco, a quem ficou a dever o apelido. Mas o casamento esteve longe de constituir um empecilho. Conversadora brilhante (numa época em que a arte da conversação era das mais admiradas), criou um salon de renome, antes e depois da Revolução Francesa. Mas foi muito mais do que uma anfitriã bem falante. Madame de Stael viajou, leu, pensou, escreveu romances e ensaios de história e filosofia política e relatos de viagens. Abordou os mais variados temas, por exemplo, o papel das mulheres (acusando os mentores da Revolução Francesa de terem traído os ideias do movimento, relegando aquelas para um segundo plano ou escrevendo sobre a dificuldade de uma mulher culta e livre encontrar parceiro à altura), mas também o papel das paixões ou emoções na vida dos indivíduos e das nações (tema que ganha hoje renovada actualidade). Foi, além disso, activista política. No período do Terror empreendeu várias operações destinadas a salvar concidadãos seus a quem, não fora a sua intervenção corajosa, a guilhotina esperava como destino certo. As suas tomadas de posição no plano político, mereceram-lhe o ódio de Napoleão que a condenou ao exílio, procurando ainda cortar-lhe os contactos com amigos e familiares. Sobre esse período escreveu as memórisa Dix ans d’éxile, tendo viajado por toda a Europa. 
Entre os seus amigos e amantes, contavam-se nomes como Benjamin Constant ou Talleyrand. Mas, o que este livro mostra, é que tendo a coragem de viver as suas paixões, Madame de Stael não se deixou limitar ou definir por elas. Fez e foi muito mais. Depois deste relato tão minucioso e apaixonante da sua vida e trajectória, fiquei com grande vontade de ler os seus livros. Ora, um livro que nos dá vontade de ler novos livros – como é o caso deste trabalho de Plessix Gray – só pode ser altamente recomendável, claro. 

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