terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Silêncio na Era do Ruido, Erling Kagge






Erling Kagge é uma espécie de homem do renascimento contemporâneo. Explorador, escritor, editor, advogado, viajante e filósofo é claramente um bom exemplo da dificuldade sentida pelo ser humano de ficar sossegado no seu quarto, tão bem identificada por Blaise Pascal.

O movimento, como o silêncio, não são em si mesmos bons ou maus, dependendo do uso que lhes damos. É sobretudo sobre o último que Kagge se debruça neste pequeno ensaio filosófico agora editado entre nós. O silêncio não tem de ser estático, pois um dos momentos em que o podemos encontrar é quando caminhamos, não só nos grandes espaços da natureza mas também nos territórios urbanos por onde circulamos habitualmente. Este livro recorda-nos desde logo como o silêncio é raro, não só porque por iniciativa própria preenchemos todos os espaços com ruído (incluindo a “música de fundo”), mas porque mesmo quando o procuramos, o espaço exterior dificulta o encontro. Isso mesmo verifiquei quando depois de ter lido este livro fui no seu encalço. Os ruídos da rua, de dia e de noite, dificultam muito essa tarefa. Depois de encontrarmos o silêncio vem outra tarefa: convivermos com ele, descobri-lo, percorrer-lhe as possibilidades. É aqui que este ensaio nos dá uma ajuda preciosa. Escrito com simplicidade, mas sem abdicar de profundidade, convoca exemplos das artes (como o quadro de Munch com o seu poderoso grito silencioso, encerrando afinal um paradoxo) e da experiência pessoal do autor para nos alertar da raridade e riqueza que podemos encontrar quando conseguimos ouvir o silêncio dentro de nós e para lá das nossas fronteiras. Um livro que vale a pena ler e reler. Uma excelente prenda de Natal ou mesmo auto-prenda de Natal…

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