quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Virginia Woolf

Assinala-se hoje mais um aniversário do nascimento de Virginia Woolf, nascida a 25 de Janeiro de 1882. Woolf foi uma das maiores escritoras do seu tempo, membro activo e fundador do grupo de Bloombury, cuja importância na vida cultural europeia é conhecida. E, contudo, durante décadas a escrita de Woolf foi menorizada, em parte devido aos problemas de saúde mental de que padecia. Mas esses problemas (sendo certo que ela está longe de ser a única artista com dificuldades a esse nível, basta recordar Van Gogh, por exemplo) não podem servir para ocultar a sua importância. Woolf abriu as portas ao modernismo na literatura, introduzindo modelos na narrativa que até aí não eram conhecidos. Livros como O quarto de Jacob ou As ondas exigem um esforço acrescido aos seus leitores e leitoras, mas as reconpensas para quem conseguir acompanhar o estilo literário, libertando-se dos padrões "clássicos", são imensas. O mesmo se diga de Mrs Dalloway, relato das emoções, recordações e impressões da protagonista, em mais um dia da sua vida em Londres. Para além da forma, os conteúdos de Woolf são também inovadores. Woolf introduziu e tratou temas feministas por excelência. A viagem e Noite e Dia, seus romances iniciais e ainda dentro do modelo narrativo clássico, são histórias de questionamento de mulheres perante a solução clássica para as suas vidas - o casamento. Nisso, Woolf não está sózinha, claro. Autoras como Jane Austen, Edith Wharton e Madame de Stael, cada uma à sua maneira, também trataram literariamente dessa questão e de forma mais ou menos directa das poucas escolhas que eram deixadas às mulheres para viverem as suas vidas. Woolf foi ainda mais longe, com duas obras marcantes que toda a gente deve ler: o ensaio Um quarto que seja seu e a obra de ficção Orlando, ambos publicados em Portugal. O primeiro é uma exposição que a escritora fez para tentar explicar o porquê de existirem tão poucas mulheres artistas. É nessa comunicação que Woolf fala sobre a necessidade de matar "o anjo do lar", no fundo para tornar claro o que deveria ser evidente: a produção artística ou intelectual no geral exige autonomia e tempo, o mesmo é dizer dinheiro e espaço próprio, longe de interrupções para se poder trabalhar. O segundo é o mais importante romance de género que conheço, acompanhando o/a protagonista que vive ao longo de séculos, experimentando a condição masculina e feminina, com as diferenças daí decorrentes. 
       A escrita de Virginia Woolf não é fácil, como disse acima. Mas num mundo onde milhões de mulheres continuam a ver a sua identidade e autonomia negada, apenas em razão do seu sexo, ler as suas obras é, em simultâneo, um prazer e um dever. Duas condições que muito raramento coincidem, como bem sabemos. 

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