sexta-feira, 6 de abril de 2018

Descobri que era europeia, Natália Correia


    Tinha grandes expectativas quanto a este livro e quando vi que tinha sido reeditado, não  hesitei: comprei-o e li-o de imediato. No essencial, é o relato na primeira pessoa da viagem que Natália Correia fez aos Estados Unidos da América, visitando, para além do mais, Nova Iorque e Washington. Natália regressaria duas outras vezes àquele país, mas o grande relato incide sobre a primeira viagem, ocorrida nos anos 50 do século passado. É evidente que Natália Correia se celebrizou pelas suas afirmações contundentes. Mas, ainda assim, fiquei surpresa com o tom do livro, talvez só possível pela sua juventude e alguma euforia. O relato é pormenorizado, embora, curiosamente, omita um facto de que nos apercebemos no final do livro: a visita foi feita na companhia do marido, com quem tinha casado recentemente e que era norte-americano. O facto é relevante porque ao longo de todo o livro a escritora fala de todos os sítios onde esteve e pessoas que conheceu, passando a ideia (pelo menos eu entendi assim) de que viajava sózinha, o que afinal, não era o caso. Para além disso, surpreenderam-me os comentários contundentes e mesmo arrogantes que faz, sobre tudo e todos. Em particular, sobre as mulheres, demonstrando até um inesperado machismo: como se vestem, como agem por não serem casadas ou como não sabem ser boas esposas, por exemplo. Por isso, apesar de reconhecer o olhar pormenorizado e atento, bem como a beleza da escrita da autora, confesso que esta leitura me deixou algo desiludida.

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