segunda-feira, 28 de maio de 2018

Contos de encantar, e.e. cummings


     Nobody, not even the rain as such small hands. Este foi o primeiro verso de Cummings que conheci pela mão de Woody Allen no filme Ana e as suas irmãs, então e sempre um dos meus favoritos. Apenas um dos muitos poemas maravilhosos deste autor, de que I carry your heart with me é outro exemplo. Só isso já chegava, mas cummings foi muito mais do que poeta. Ensaísta, pintor e escritor de prosa. Não foi, segundo li agora, grande pai. Mas para se redimir e cativar os netos escreveu estes quatro contos de encantar que agora nos chegam. Pode dizer-se muita coisa sobre estes exercícios de imaginação, onde casas e pássaros são amigos, elefantes e borboletas se visitam e crianças vêm ao mundo para os adultos não se esquecerem de perguntar porquê (uma coisa importante de que os automatismos técnico-tácticos da vida às vezes nos fazem esquecer). Para os especialistas em literatura ficarão as incumbências interpretativas. Para mim, fica o encanto de ler histórias cheias de imaginação sobre o bonito que é quebrar a solidão, própria e alheia. A tradução é de Hélia Correia (que escreveu, por exemplo, Lillias Fraser) e os desenhos de Rachel Caiana. Este livro tão bonito é perfeito para leitores miúdos e graúdos, talvez especialmente para os últimos, a quem um bocadinho mais de sonho pode vir a calhar para criar um mundo melhor. 

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