segunda-feira, 14 de maio de 2018

Racismo no país dos brancos costumes, Joana Gorjão Henriques



       Já aqui disse, a propósito do post que escrevi sobre o livro de Natália Correia, que um dos aspectos que mais me surpreendeu nessa obra foi a aparente convicção da sua autora de que Portugal não era um país racista. Não só era, como continua a ser. E se fossem necessárias provas temos este conjunto de entrevistas feitas por Joana Gorjão Henriques agora tornadas livro que abrem a porta a esse país escondido. São várias as temáticas escolhidas (a procura de emprego, a escolha de uma casa para arrendar e o contacto com serviços públicos, como os da Justiça e os SEF) mas a nota é sempre a mesma: desigualdade. Tal como o sexismo não deve incomodar apenas quem dele sofre, o racismo também não é um problema apenas das minorias étnicas. Estas são questões estruturantes que interessam a todos, pois é nelas que se desenha a sociedade em que queremos viver. A mim, não me apetece mesmo nada viver numa sociedade racista, apesar de ser branca. O livro não me trouxe propriamente uma novidade. Olhando à nossa volta qual a percentagem de população negra que vai para as universidades, que trabalha em escritórios ou em funções públicas diferenciadas ou que vemos a ir ao cinema, teatro ou outras manifestações culturais? A minha experiência diz-me que é uma percentagem baixa. E é aqui que este livro pode ser um ponto de partida interessante, para todos pensarmos em soluções para dar a volta a esta abjecta situação. 

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