terça-feira, 5 de junho de 2018

O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa, Paulo Borges e Duarte Braga


Nos nossos dias há um interesse renovado pela espiritualidade oriental, em particular pelo budismo. Muitos factores podem contribuir para o apelo do oriente. O desencanto pelos modelos religiosos tradicionais do ocidente ou a possibilidade de procurar, num ambiente de liberdade e de mais fácil acesso ao conhecimento, aquilo de que efectivamente nos sentimos mais próximos. Cada um terá os seus motivos, uns mais profundos e outros porventura mais superficiais. Este livro, organizado por Paulo Borges e Duarte Braga, responde ao interesse dos primeiros. Os autores juntaram textos de vários investigadores portugueses, percorrendo um conjunto de temas com especial enfoque nos reflexos do budismo na vida cultural portuguesa. Através deles explicam como surgiu o budismo no nosso pais e a influência que teve em criadores como Eça de Queirós, Antero de Quental ou Vergílio Ferreira. Qualquer pessoa com curiosidade intelectual retira prazer desta leitura. Eu, por exemplo, gostei particularmente das páginas dedicadas António Andrade, padre jesuíta que no séc. XVII foi o primeiro ocidental a entrar no reino do Tibete. Gostei de ler a forma como procurou ligações entre a realidade que se lhe apresentava pela primeira vez e a cultura portuguesa, arriscando pontes de contacto entre as religiões algo audaciosas. Ou talvez não, se nos recordarmos do que Nicolas Notovitch escreveu no seu relato (não sei se há versão portuguesa em inglês o título é The Unknown life of Jesus). Notovitch fez uma longa viagem ao Tibete tendo afirmado no regresso ter visto provas de que Jesus Cristo ali teria estado durante cerca de 15 anos (entre o fim da adolescência e a entrada da idade adulta). Claro que foi recebido com desconfiança (para dizer o mínimo), mas isso não o impediu de defender com veemência a sua tese, até explicando que foi em contacto com os monges tibetanos que Jesus aprendeu técnicas meditativas que lhe permitiram suportar a crucificação. Voltando ao trabalho dos autores portugueses outro estudo interessante é o dedicado ao livro A cidade e as serras lido à luz da doutrina budista.
Por mim, gosto sempre de livros que me dão novas perspectivas pelo que este achado é um daqueles que guardo para continuar a explorar, lendo e relendo os vários textos que o compõem.

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