segunda-feira, 18 de junho de 2018

Os enigmas do amor, Virgílio Saúl Serra de Carvalho



Há quem diga que o amor não existe, que é uma ilusão, um erro ou um artifício da biologia. Mas isso é-nos desmentido pela experiência da vida. Todos sentimos já a alma inundada de ternura ou o espírito e corpo em ebulição por encontros que a vida nos traz. O amor existe, sem dúvida. E melhor do que defini-lo e procurar dissecá-lo em abstracto é encontrá-lo no nosso quotidiano. É essa oportunidade que estes poemas de Virgílio Saúl Serra de Carvalho nos oferecem. Leio-os e descubro em cada um deles um instantâneo fotográfico, testemunho do amor que alguém encontrou ou pensava ter encontrado. Ou quis acreditar que tinha encontrado, como na vida, às vezes, também ansiamos por nos deixar enganar.
É no amor que se encontram tantas vezes emoções que nos assustam, como o ciúme, o despeito ou o medo de o ver substituído pela indiferença. São esses retratos que encontramos pintados nos versos de poemas como A amante intriguista, A covardia do amor ou O dia em que o amor disse adeus. Mas é também é do amor que emergem as emoções que nos fazem viver, o carinho, o desejo e a saudade. São elas que visitam poemas como O amor incondicional, Pai, porque te foste embora ou Amor de mãe.
Os Enigmas do Amor recordam-nos a complexidade da alma humana, os encontros e desencontros da vida, bem como os sentimentos que vão e vêm. E também aqueles que se revelam, afinal, perenes, indiferentes à passagem do tempo ou às mudanças de paisagem. Por isso, ao lado do amor romântico vivido ou sonhado, estes poemas conduzem-nos a outros amores, não só por pessoas (progenitores, filhos), mas também por ideais, por um país, por uma religião. São tantos e tão diferentes os amores que dão sentido a uma vida ... 
Em dado passo deste livro Virgílio Saúl Serra de Carvalho escreve “Amar é uma palavra fácil/ Mas difícil de viver”. É dessas dificuldades, mas também das bem-aventuranças que as acompanham, que este livro nos fala, numa linguagem simples e clara, onde todos nos podemos rever.

2 comentários:

  1. Não conhecia o livro, nem o autor. É tão raro falar em poesia nos blogues. Falo por mim. Tenho que arriscar mais.
    Um beijinho e boas leituras

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  2. Também é raro, mas às vezes lá me atrevo. Beijinho

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