Para
fechar o ano no blogue recordo aqui cinco livros que me marcaram especialmente nestes doze meses. Todos eles são referidos aqui no blogue, mas, em tempo de balanço, apeteceu-me fazer aqui esta pequena retrospectiva. The heart wants what the heart wants. E esta máxima tem pleno enquadramento no coração de uma leitora.
O
primeiro é de Nuno Rogeiro, um estudo/reportagem sobre os migrantes. Chama-se Menos que Humanos e comprei-o em promoção.
É um livro muito bem escrito, objectivo e que nos faz compreender um pouco melhor
os fenómenos migratórios que sempre sucederam mas estão agora de novo na
actualidade. E também nos permite perceber que podíamos ser nós a fugir do
nosso país e a enfrentar a fuga e os seus perigos e incertezas em busca de um
mundo melhor.
Walk Through Walls
é outra leitura inesquecível. Para além do talento para a escrita, a vida de Abramovich é cheia de acontecimentos, o que torna este livro tudo menos enfadonho.
Foi uma leitura que me ocupou numa altura em que estive doente e também por isso
adquiriu um significado especial.
Num
momento em que tanto se fala da ascensão dos movimentos nacionalistas e de
extrema direita vale ainda mais a pena referir as Memórias de uma Falsificadora, de Margarida Tengarrinha. Escrito de
forma despretensiosa e clara, é um livro que desmente os que afirmam que em
Portugal não existiu fascismo. O que é saber que as autoridades do país se
sentem à vontade para matar cidadãos que nada de mal fizeram em plena luz do
dia e no centro de Lisboa? O que pode chamar-se a gente que tortura, exila e maltrata
homens e mulheres que apenas pretendiam viver em liberdade? Este livro devia
ser de leitura obrigatória nas escolas do nosso país.
Outra
obra que me marcou especialmente foi Hunger de Roxane Gay. Creio que não tem
tradução em Portugal, o que é pena. Foca temas tão importantes como o abuso
sexual e suas consequências a longo prazo para as vítimas (um tema que é pouco
ou nada tratado entre nós), o peso e imagem corporal e o controlo social do
corpo. É escrito na primeira pessoa de forma frontal e aberta.
Por
último, O Quarteto de Alexandria de Lawrence Durrell. É certo que em rigor são
quatro livros e não um (ainda que haja uma edição em português que os congrega a
todos num só volume). Mas não posso deixar de o referir nesta lista. Pela
impressão que me causou e pela certeza de que voltarei às suas páginas.
Agora sim, podemos fechar o ano aqui no blogue.
Obrigada a quem por aqui passa e votos de um Excelente Ano de 2019, com muitas coisas boas, dentro e fora dos livros.













