quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Kaváfis






                                                                 in Konstandinos Kaváfis, Os poemas, Relógio D'Água

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Karen, Ana Teresa Pereira



         
Quem é Karen? Essa é a pergunta que fica depois de concluir a leitura desta obra de Ana Teresa Pereira. Como em quase todos os livros desta escritora conhecemos as personagens sobretudo pelo universo que elas habitam: os seus livros, discos, filmes e paisagens. Só que nesta obra tais escolhas não surgem como reconfortantes e não servem para unir. Pelo contrário, são os gostos distintos que separam de forma mais evidente Karen e a protagonista sem nome. E que permitem criar a suspeita de que houve uma substituição inexplicável da primeira pela segunda. Como a narradora pretende fazer crer o leitor.
Num primeiro momento, esta leitura recordou-me um outro livro de Ana Teresa Pereira, O Verão Selvagem dos teus Olhos, uma reinvenção de Rebecca de Daphne du Maurier contado pela perspectiva daquela personagem. Mas neste Karen fiquei com muitas dúvidas. Será que Karen e a narradora não são uma e a mesma pessoa? A história narrada na primeira pessoa torna-nos cúmplices da perspectiva da narradora. Num primeiro momento, parecem de facto duas mulheres distintas. São diversos os gostos, a narradora não tem memória de acontecimentos que lhe dizem que Karen viveu, há a suspeita de um crime de contornos algo imprecisos. Mas à medida que a acção avança, a dúvida surge. É certo que a narradora parece lutar para manter a sua identidade. Mas as perguntas avolumam-se: como chegou àquela casa? Quem são Alan e Emily? Se a narradora é prisioneira como explicar a liberdade com que se movimenta, incluindo a possibilidade de ir a Londres semanalmente, como fazia Karen? Estes indícios começaram a fazer-me suspeitar de que, estando a conhecer a história na perspectiva da narradora, poderia estar influenciada pela sua visão subjectivista e pessoal. Confesso que me inclino para esta segunda hipótese. A narradora é Karen, ainda que talvez não consciente disso, porventura por força de uma qualquer doença mental. Mas esta explicação não permite compreender toda a acção. E é isso que torna o livro tão intrigante.
A obra tem um gosto de policial e thriller psicológico. A escrita concisa e fluída da autora prova, mais uma vez, que não são necessárias centenas de páginas, nem o recurso à suspeita de almas do outro mundo, vampiros ou entes fantasmagóricos, para criar um ambiente de tensão que torna o livro uma experiência tão inquietante quanto estimulante.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

E se parássemos de sobreviver - Pequeno livro para pensar e agir contra a ditadura do tempo



       Este conjunto de ensaios inicialmente publicado na imprensa escrita obriga-nos a pensar sobre o modo como vamos vivendo. A ditadura do tempo, a falácia da realização pelo trabalho, as horas consumidas que não deixam memória nem gosto. O autor é professor de filosofia na Beira Interior. Os artigos que constam do livro são simples, claros, adequados ao leitor comum. Lê-los obriga-nos a pensar sobre muitas coisas.