quarta-feira, 27 de março de 2019

Bruce Chatwin




Anatomia da Errância, Na Patagónia, Utz. Eis algumas das obras de Bruce Chatwin que me ajudaram a sonhar a minha vida quando era adolescente e passava grande parte das férias em casa. Sem muitos amigos mas rodeada de livros. E segura de que a minha vez de conhecer o mundo haveria de chegar. Tanto como os livros fascinou-me a personalidade de Bruce Chatwin dono de si e das suas decisões, livre de amarras interiores e capaz de pôr de lado os confortos da vida burguesa para ir atrás de uma aventura do outro lado do mundo. Esta citação é a demonstração da sua imensa cultura e a confirmação de que não há conhecimento inútil quando se trata de acumular riquezas da alma. Morreu muito jovem, com quarenta e oito anos. Além da tragédia pessoa ficámos privados da sua escrita límpida e detalhista, capaz de nos reconciliar com a beleza do mundo para lá das suas misérias. 
Tenho andado a reler Utz e talvez por isso o meu primeiro pensamento quando acordei foi para Chatwin e um bilhete que ele deixou na secretária do local onde trabalhava “Fui para a Patagónia”. Assim. Claro e simples.

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