Anatomia
da Errância, Na Patagónia, Utz. Eis algumas das obras de Bruce Chatwin que me
ajudaram a sonhar a minha vida quando era adolescente e passava grande parte
das férias em casa. Sem muitos amigos mas rodeada de livros. E segura de que a
minha vez de conhecer o mundo haveria de chegar. Tanto como os livros
fascinou-me a personalidade de Bruce Chatwin dono de si e das suas decisões,
livre de amarras interiores e capaz de pôr de lado os confortos da vida
burguesa para ir atrás de uma aventura do outro lado do mundo. Esta citação é a
demonstração da sua imensa cultura e a confirmação de que não há conhecimento inútil
quando se trata de acumular riquezas da alma. Morreu muito jovem, com quarenta e oito anos. Além da tragédia pessoa ficámos privados da sua escrita límpida e detalhista, capaz de nos reconciliar com a beleza do mundo para lá das suas misérias.
Tenho
andado a reler Utz e talvez por isso o meu primeiro pensamento quando acordei
foi para Chatwin e um bilhete que ele deixou na secretária do local onde
trabalhava “Fui para a Patagónia”. Assim. Claro e simples.

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