segunda-feira, 1 de abril de 2019

Um sonho feito real: Epulata

       
  

      Na vida o que nos move é o sonho e não propriamente o pagar as continhas no supermercado ou liquidar os impostos ao Estado. Claro que cada um tem os seus sonhos e todos têm igual dignidade. Pode ser ver os filhos crescerem com saúde e alegria, viver um grande amor, acabar com a fome no mundo, conhecer todos os países que o compõem ou compor uma sinfonia. Pode ser tudo isto. Ou não ser nada disto. A diversidade dos sonhos reflecte a diversidade dos sere humanos. Desde que o sonho seja conforme à ética, todos são de acarinhar. Se não o forem, não são sonhos. São pesadelos.
            Uma coisa que sempre me fez muita impressão é o constante adiamento de sonhos. “Um dia …” é das expressões de que mais tenho medo. Um dia vou viajar, um dia vou voltar a fazer ginástica, um dia vou aprender a tocar piano, são frases que, a partir de certa idade, me começam a soar como um “empurrar com a barriga”. A paciência é uma arte que só tem sentido se fixarmos um objectivo e o concretizarmos. Foi este o motor para a concretização dos sonhos que levei a cabo até agora. Não sei se são grandes ou pequenos. Originais ou banais. São meus e tanto me basta para os realizar. Os sonhos não se esgotam, digo-o de ciência certa. Quando realizamos um aparece pouco depois um outro a espreitar-nos a imaginação, implantando-se no centro da nossa alma. Um dos meus sonhos era criar uma revista. Sei que há muitas, mas queria uma onde pudesse ter a minha própria voz e dar a conhecer ao mundo um punhado de pessoas muito talentosas, a que tenho o gosto de chamar amigos.
Hoje o sonho tornou-se real. A revista chama-se Epulata. É um projecto de amigos, assente no prazer da descoberta e da troca de ideias. É essa a moeda de pagamento. Não há publicidade e não há fretes para ninguém. O título é uma palavra inventada, brincando com a ideia de banquete, em latim. A ideia é apelar ao festim das ideias, às conversas sem fim com os amigos com quem partilhamos gostos e discordâncias.
Cinema, artes plásticas, livros, música, direito ao esquecimento, a nudez feminina enquanto acto político, a preguiça (o contributo da blogger) e há uma entrevista com Mimi Tavares, pintora e ser humano de excepção. Espero que vejam e gostem e, sendo caso disso, que partilhem. Contamos com as vossas opiniões e, caso tenham textos que gostassem de ver publicados e que se insiram no espírito da revista, convido-vos a procederem ao seu envio para epulatageral@gmail. com.

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