quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?


Foto da autora



           Há alguns meses abriu em Lisboa a livraria a travessa espaço irmão de uma bem sucedida livraria brasileira. Uma das vantagens dessa ousadia é que passaram a estar acessíveis ao público português títulos de autores brasileiros, cuja aquisição era antes bem mais difícil. Um exemplo é este conjunto de ensaios de Djamila Ribeiro "Quem tem medo do feminismo negro?".
               A autora nasceu em 1980 e é mestre em Filosofia Política. Os textos reunidos neste livro foram antes publicados separadamente na imprensa e num blogue. O primeiro texto é um ensio autobiográfico, cuja leitura é uma lição de vida. Os demais versam essencialmente temas do quotidiano brasileiro analisados à luz do combate aos preconceitos racistas e sexistas. Há, ainda assim, alguns textos que versam temas mais abrangentes, como o tratamento dado na comunicação social a Serena Williams e o movimento "black lives mater".
               A preparação intelectual de Djamila Ribeiro é evidente bem como a maturidade com que foca os temas e os trabalha, com recurso a elementos de História, Filosofia e Sociologia. Gostei particularmente da forma como enfrenta o propalado direito à liberdade de expressão como argumento para veicular discursos eivados de preconceito e o modo como desmonta o "achismo", esse veneno do debate intelectual hodierno. Aprendi também onde radica o mal de expressão como "mulato" (cuja origem histórica desconhecia) e de práticas como o "blackface". Num momento como o presente em que a agenda é cada vez mais global e os temas de debate são transversais a leitura deste livro surge como uma mais valia, mesmo para quem está fora da realidade brasileira.

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