Mostrar mensagens com a etiqueta citações e inspirações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta citações e inspirações. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de março de 2019

Bruce Chatwin




Anatomia da Errância, Na Patagónia, Utz. Eis algumas das obras de Bruce Chatwin que me ajudaram a sonhar a minha vida quando era adolescente e passava grande parte das férias em casa. Sem muitos amigos mas rodeada de livros. E segura de que a minha vez de conhecer o mundo haveria de chegar. Tanto como os livros fascinou-me a personalidade de Bruce Chatwin dono de si e das suas decisões, livre de amarras interiores e capaz de pôr de lado os confortos da vida burguesa para ir atrás de uma aventura do outro lado do mundo. Esta citação é a demonstração da sua imensa cultura e a confirmação de que não há conhecimento inútil quando se trata de acumular riquezas da alma. Morreu muito jovem, com quarenta e oito anos. Além da tragédia pessoa ficámos privados da sua escrita límpida e detalhista, capaz de nos reconciliar com a beleza do mundo para lá das suas misérias. 
Tenho andado a reler Utz e talvez por isso o meu primeiro pensamento quando acordei foi para Chatwin e um bilhete que ele deixou na secretária do local onde trabalhava “Fui para a Patagónia”. Assim. Claro e simples.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Literatura asiática





Mantendo ainda o tópico da não limitação das leituras a cânones deixo aqui este artigo que encontrei com uma lista de livros escritos por autoras asiáticas contemporâneas. Dois deles já li e comentei aqui no blogue: Sayaka Murata cujo livro Convenience Store Woman foi traduzido para português como Uma questão de conveniência e Erotic Stories From Bunjabi Widows escrito por Balli Kaur Jaswal. Mas há muito mais para conhecer. Por mim, fiquei já curiosa quanto à autora escolhida para representar o Afeganistão. 

sábado, 22 de dezembro de 2018

Boas Festas









        Uma música de Natal a que cheguei através de um livro. Nas sua memórias Elisabeth Vigée Le Brun fala sobre o encanto que foi ouvir o coro na Basílica de São Pedro em Roma no dia de Natal a cantar esta peça de Gregório Allegri. Como se pode ler na nota de rodapé da tradutora era um prazer exclusivo a vários níveis. A peça só era tocada no Natal e apenas naquela igreja de Roma. A partitura de Allegri era secreta e ninguém sabia como tocar a música. Até ao dia em que na audiência estava um jovem de catorze anos que a conseguiu perceber e reproduzi-la em casa. Daí, para o mundo. O nome do jovem rebelde? Wolfang Amadeus Mozart. 

    Feliz Natal a todos! Que renasçamos com coragem e garra para construir um mundo melhor. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Durrell e Miller



“Se, como diz, não pode escrever BONS livros, então não escreva. Não escreva nada, literalmente. Fique quieto. Guarde lá dentro. Deixe acumular. Deixe explodir dentro de si. Posso compreender Homero dormitando. Mas isso é diferente de Homero escrevendo oculto por um pseudónimo. Um homem pode cair, pode realizar obra indigna dele, pode enlouquecer. Mas nunca deve incarnar deliberadamente uma personalidade menor, um fantasma, um substituto.”
Henry Miller para Lawrence Durrel, Correspondência, pág. 128.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um hotel com história


Hotel Continental Ho Chi Minh (Vietname) 
Situado numa das ruas principais – a Dâng Khoi - de Ho Chi Minh, o Hotel Continental continua a ser uma referência naquela cidade de Vietname. Antes da revolução comunista triunfar Ho Chi Minh era Saigão e a Rua Dânh Khoi era a Rue Catinat. O Hotel Continental era já o Hotel Continental. Para além de ser lindíssimo é uma referência na história da literatura. Graham Greene escreveu ali O Americano Tranquilo, Duras referiu-o por diversas vezes nas suas obras (por exemplo, O Amante da China do Norte) e Tiziano Terzani hospedou-se nele durante a guerra do Vietname, tal como outros correspondentes internacionais. Tudo isso parece esquecido hoje na cidade vietnamita. Enorme, recheada de cartazes do líder que lhe deu o nome e que convivem pacificamente com lojas das principais marcas de luxo mundiais, Ho Chi Minh fervilha de actividade. O passado colonial emerge aqui e ali. Por exemplo, neste hotel e no Rex (a poucos metros, era outro poiso dos correspondentes da imprensa internacional), na igreja de Notre Dâme (inspirada na homónima francesa) e no posto dos correios construído à frente daquela última.
 Mas dos escritores ocidentais que referi, nada se diz. Mesmo de Duras, nascida na antiga Indochina francesa, apenas encontrei uma edição em inglês de O Amante. Apagados da vida literária de uma cidade onde se encontram já os best-sellers sentimentais do Ocidente (incluindo Nicholas Sparks) e obras panegíricas sobre o grande líder. Mas não faz mal. Quem conhece o mapa literário não precisa de sinais para chegar ao sítio que lhe interessa. E o Hotel Continental, com o seu restaurante Le Bourgeois, ali se mantém, com uma leve nota de subversão. 

sábado, 24 de junho de 2017


(Fotografia extraída da net, sem menção de autoria)


     A casa de Rimbaud em Harar na Etiópia. O poeta francês viveu na cidade, mas não nesta casa, que nem sequer existia. Foi muito mais tarde construída e é um museu dedicado à memória do poeta. Longe da guerra, da fome e da doença há um país que para os portugueses foi sempre uma fantasia, o reino do sonhado Preste João da Índia. E há quem defenda que foi também uma das inspirações da Utopia de Thomas More. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Convento do Prazer, Margareth Cavendish

Só o título já é uma provocação. E nem o ar sério da Duquesa de NewCastle nascida Margareth Lucas, impede a imaginação de disparar. O Convento do Prazer  é uma peça de teatro publicada no século XVII, num tempo em que as mulheres, e muito menos as aristocratas, não escreviam sem correr o risco de cair no ridículo. Mas Cavendish escreveu e muito: peças de teatro, ensaios filosóficos, obras científicas, o primeiro livro de ficção científica conhecido na Europa (The blazing world) e biografias.
         O Convento é uma peça de teatro que foca um tema exposto de forma tímida mas recorrente na literatura: a vida sem homens ou, mais precisamente, sem a presença tutelar do marido. Numa época em que grande parte dos casamentos assentava em decisões de negócios ou de política (com excepção dos muito pobres, claro), a escrita de Cavendish parte desta premissa: uma jovem herdeira, rica, inteligente e bonita decide evitar os pretendentes que se preparam para lhe bater à porta. A rebelião contra o casamento não é um tema inteiramente original. Já Shakespeare o tinha tratado com a sua Catarina de A Fera Amansada. A heroína de Cavendish (Lady Happy) cria um convento para si e para as suas amigas, aí vivendo recolhida em prazeres que não incluem a presença masculina. Que deleites serão esses é matéria que ocupa os pretendentes (entre o despeitado e o receoso) e aguça a curiosidade de quem acompanha a peça. Cavendish, à semelhança de outras mulheres que escreveram no século XVII, assume uma postura ambivalente, ora reclamando direitos para as mulheres e lamentando a sua condição subalterna, ora admitindo a posição de natural inferioridade daquelas. Na peça há uma denúncia veemente dos males do casamento. Mas, para um olhar atento, é cristalino que os mesmos assentam – naquele tempo, como hoje – não no consórcio, mas no consorte que se escolhe. A peça é também uma comédia de enganos, leve e sem grandes pretensões, não pondo em causa a ordem social estabelecida, pelo menos de forma evidente. E diga-se que isso não deve ter sido apenas para agradar ao público (Cavendish foi uma autêntica celebridade no seu tempo): a autora era ela própria casada e ao que consta muito feliz, pois que Lord Cavendish era, ao que sabe, um homem de vistas largas e que muito apreciava o talento da esposa. Duas qualidades importantes para qualquer marido. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Hubert Reeves



     Sobre os mundos grandes, fora e dentro de cada um de nós, in Já não terei tempo (memórias), Ed. Gradiva. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Feliz Natal





            E com tudo isto, entre livros lidos e por ler, chegámos ao Natal. Votos de Boas Festas para todos os que frequentam este espaço!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dito em voz alta, entrevistas sobre literatura, isto é, sobretudo a Manuel António Pina






         São doze entrevistas concedidas entre os anos de 2000 e 2012 recolhidas num livro. Onde se lêem coisas assim: 

         "As pessoas precisam cada vez mais, em tempos usurários como os nosso, de algo que possa dar algum sentido à própria existência. Não passa pela cabeça de ninguém que a vida possa apenas ser comércio, usura, ganhunça isto é, que a vida seja só vidinha. Acho que a popularidade da poesia radica na mesma necessidade de respostas que leva muita gente a procurar as religiões, num mundo subitamente órfão de ideologias (as ideologias funcionam como sistemas de respostas mais ou menos prontas a usar). A poesia seria então uma espécie de religião laica, pois também a sua vocação essencial é a de "religare". Infelizmente, a poesia tem poucas respostas para dar; guarda, no entanto, perguntas que desde sempre inquietam o coração dos homens: a morte, o amor, o tempo. Já é alguma coisa num mundo em que a pergunta quase exclusiva é: Quanto custa?" 

                                                                                     Entrevista de Sérgio Almeida, pág. 89.  

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Saramago



          Hoje José Saramago celebraria o seu aniversário.O primeiro livro que li dele foi O Memorial do Convento. Mas os que mais me marcaram foram Todos os Nomes e O Evangelho segundo Jesus Cristo.O primeiro por dar brilho a um funcionário da Conservatória que tem imaginação para resgatar o que há de único no ser humano para além do anonimato que nos cobre a todos. O segundo pela conversa entre Deus e o Diabo, num barco no meio do mar, de que me lembro sempre que vejo o sol a bater nas ondas daquele. Esta frase é extraída do livro A viagem do elefante. Gosto dela pela esperança que carrega. Cada um sabe onde deseja ser esperado e só se pode desejar que cada um de nós consiga lá chegar. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Jane




Tive um fim-de-semana inesperadamente austeniano. E tudo por culpa de Simone de Beauvoir. Eu explico. O estado espírito à la Austen começou com a leitura do artigo que Emily Witt no The New York Times Style Magazine (podem ler aqui) publicou sobre o gosto das caminhadas que lhe foi insuflado pela leitura da autobiografia de Beauvoir. Esta, colocada como professora numa escola em Marselha longe da família, dos amigos e do seu amante, acabou por encontrar nas passeatas pelos bosques limítrofes o antídoto para o que seriam uns meses insípidos. Witt realça o facto de Baeuvoir ter sido uma precursora de obras como Wild de Chreryl Strayed ou Trilhos de Robyn Davidson. O primeiro não li, apenas vi excertos do filme entre sonos e sonhos num voo intercontinental. O segundo é o relato da travessia que a autora fez pelo deserto da Austrália, conduzindo uma manada de camelos.
Algumas horas depois de ter feito esta leitura começam a vir-me à mente imagens da série Orgulho e Preconceito da BBC. Nelas Elisabeth Bennett passeia sozinha pelos bosques, entregue à contemplação da natureza e às reflexões mais ou menos preconceituosas a que gostava de se dedicar. Seria uma falsa memória ou uma liberdade adaptativa do século XX?  Única solução possível para o dilema: reler Orgulho e Preconceito. E assim foi. Não há dúvidas, a heroína de Austen passeava sozinha pelos campos, apreciando a solidão e a liberdade, procurando mesmo evitar encontros com terceiros que lhe roubassem o prazer daquelas horas. Austen chegou antes da papisa do feminismo europeu, provando mais uma vez que quem a lê como uma escritora do chá das cinco passa bem ao lado da riqueza da sua obra. Nos livros dela, there’s much more than meets the eye!