quinta-feira, 27 de setembro de 2012

José Luís Peixoto dixit



“Gosto de dizer que sim. Dizer que sim é querer resolver problemas, é seguir em frente, é lançar-se sem medo, rejeitar as amarras da auto-preservação. Sim, gosto de fazer planos e projectos, gosto de imaginá-los concretizados. Não gosto de dizer que não. As pessoas que dizem não desagradam-me desde os meus primeiros instintos. Acredito que nos momentos que antecederem a minha morte, se estiver consciente, me irei arrepender de todos os momentos em que disse não, não a aprender a tocar saxofone, não conhecer mil pessoas, não àquela viagem a Salerno, não àquela mulher que me queria mostrar o seu quarto e em que me preocupei com o que os primos dela poderiam pensar. Eu digo sempre que sim. E, em cada uma dessas vezes, quero ser surpreendido. É isso que espero.”

                         in A rapariga dos cabelos verdes, Hoje não, José Luís Peixoto



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E agora ... uma nova palavra: tsundoku



Comprar livros e deixá-los ir amontoando até chegar o dia em que finalmente vamos pegar neles. É um acto mais ou menos comum a todos os leitores, tipicamente pessoas com mais olhos que barriga!
Sempre se pode dizer em nossa defesa, que como vão as coisas na edição no nosso país e com a dificuldade em encontrar certos títulos que são quase clássicos, tal dispêndio de fundos não traduz nenhum acto perdulário. Aliás, um dos meus lemas é "não deixes para amanhã o livro que podes comprar hoje." 
A novidade é que existe uma palavra japonesa com o significado desse acto: tsundoku. Procura-se agora o equivalente em português...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Silêncio – O poder dos introvertidos num mundo que não para de falar, Susan Cain

      Susan Cain estudou Direito e foi advogada durante cerca de dez anos. As capacidades de argumentação que certamente desenvolveu são bem evidentes neste livro, um estudo sobre a introversão que congrega investigação científica (na área da psicologia e neuro-ciências), elementos históricos e conhecimentos empíricos, decorrentes da experiência pessoal da escritora e de entrevistas que Apesar de exaustivo, é uma leitura interessante a apelativa.
      Um dos aspectos mais bem conseguidos do livro é a explicação dada sobre a passagem da Cultura de Carácter para a Cultura de Personalidade explicando à luz dessa evolução o fenómeno do aparecimento e triunfo dos comunicadores de massas e livros de auto-ajuda, de que Dale Carnegie (auto de Como livrar-se de problemas e começar a viver e Como falar facilmente …) foi o precursor.
        Cain debruça-se sobre os mecanismos de introversão e extroversão, explorando as suas consequências no nosso modo de organização social, profissional e económica. Analisa e derruba alguns mitos do discurso empresarial contemporâneo como as vantagens do brainstorming e da organização em open-space, teorizando também sobre as consequências do perfil de extroversão característico de boa parte dos operadores da bolsa no crash de 2008.
        Foi a introversão de Cain que a levou a querer explorar os mecanismos da mesma, o momento em que ser extrovertido passou a ser uma vantagem competitiva para o indivíduo e as consequências dessa mutação cultural. Apesar do livro ter algumas páginas dirigidas aos introvertidos e aos progenitores de crianças que o são não é um manual de auto-ajuda. Trata-se, antes, de um trabalho de mais de trezentas páginas, abrangente, bem documentado e que vale a pena conhecer não só pelos dados científicos revelados, mas pelas ilações extraídas pela escritora.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Festa do Cinema Francês




    Et violà!

    Já é uma tradição do Outono português. Podem consultar o programa aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Rebecca Dautremer

    A minha amiga A. ofereceu-me um conjunto de marcadores de Rebecca Dautremer, ilustradora de livros infantis. Os marcadores são extraídos de três dos seus álbuns e não consigo deixar de os admirar.
        Não há dúvidas de que o presente foi bem pensado. Sou uma leitora algo saltitante, que, com frequência tem vários livros em mãos ao mesmo tempo. Costumo usar postais para os marcar. Mas estes marcadores são, de facto, lindos! De tal modo, que vai ser difícil pô-los a uso no dia-a-dia. Pelo menos por uns tempos, vou guardá-los no bloco, para me poder deixar encantar por eles sempre que tiver vontade.
        Obrigada A.!        


Cyrano

Princesas

Cyrano
  

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Sr. Ibrahim e as flores do corão



Sempre gostei de ouvir contar histórias. Mas para os adultos esse gosto é difícil de satisfazer, pois não são muitos os contadores daquelas, pelo menos no sentido que aqui estou a dar à expressão… Mas no fim-de-semana passado ouvi a história do Sr. Ibrahim, contada por Miguel Seabra acompanhado por Rui Rebelo. O texto, escrito por um dos mais conhecidos dramaturgos franceses da actualidade, Eric-Emmanuel Schmitt, é uma história de amizade, descoberta e partilha tendo como protagonistas um ancião e um miúdo, Momo. É também um hino à tolerância, à ternura e à capacidade de entreajuda. Todos estes factores e a capacidade narrativa de Miguel Seabra fazem com que durante cerca de 1h30m nos esqueçamos do mundo e sigamos a história daquela amizade.
Está em cena no Teatro Meridional até 30 de Setembro e é uma boa opção para miúdos e graúdos.