sexta-feira, 6 de março de 2015

O regresso da Livros do Brasil




Fundada em 1944 a Livros do Brasil regressa hoje ao mercado com esta colectânea de contos de Truman Capote. A mim, as capas desta editora recordam-me tardes felizes de adolescência quando as longas férias escolares do Verão equivaliam a imenso tempo para ler. Foi através das suas colecções que descobri autores como Virginia Woolf, Ernest Hemingway, Érico Veríssimo e Somerset Maugham. Por isso, a notícia do seu regresso deixou-me algo nostálgica. Mas com uma nostalgia feliz, diga-se.  

quarta-feira, 4 de março de 2015

Zoran Zivcovic, O grande manuscrito e O último livro

Gosto de livros sobre livros. E foi essencialmente isso que me conduziu à compra de O Grande Manuscrito o mais recente livro de Zoran Zivkovic´
Como se fosse uma personagem de um dos seus livros (ou talvez de Se uma noite de inverno um viajante de Italo Calvino) senti-me atraída pela capa misteriosa e pela promessa de mergulhar num policial bibliófilo com elementos de fantasia.
O protagonista de O Grande Manuscrito é o inspector Dejan Lukic´ membro da polícia de Belgrado. O mistério que é chamado a resolver diz respeito ao desaparecimento de uma famosa escritora a poucos dias de entregar ao editor mais um dos seus aguardados livros. O ambiente livresco não é passageiro na obra. Sob uma certa leveza narrativa (apesar do acumular de cadáveres à medida que a acção avança) Zivkovic´ explora alguns dos grandes temas do mundo editorial de hoje ao mesmo tempo que introduz a magna questão da busca da imortalidade. E se não há poção mágica que a garanta não poderá o segredo da vida eterna estar encerrado num livro?
O Grande Manuscrito pode ler-se separado da demais obra de Zivkovic´. Mas, como gostei do estilo do autor e percebi naquele livro referências a uma obra anterior, fui ler O Último Livro.

            Morrer numa livraria pode ser para muitos leitores o mais próximo possível de uma morte perfeita. Mas convém assegurar que não se vai para o outro mundo antes da nossa hora. Na livraria Papyrus um conjunto de mortes suspeitas convoca o Inspector Lukic´, determinado a mostrar que a sua condição de polícia não é irreconciliável com a de leitor. Se em O Grande Manuscrito é a imortalidade que se procura em O Último Livro há uma piscadela de olho à leitura derradeira, ao fruto proibido, recordando O Nome da Rosa onde uma obra de Aristóteles vai espalhando o castigo pelos leitores mais destemidos e incautos.

            A escrita de Zivkovic´ é vigorosa e clara. Embora a acção se mova numa realidade que não corresponde aos padrões clássicos de um policial tem todos os requisitos para ser integrado no género, ainda que com um toque de fantasia e recursos estilísticos um pouco diversos, evidentes sobretudo no modo como o narrador se relaciona com a personagem principal, num jogo de livro dentro do livro. Mas para além da fantasia Zivkovic´ introduz ainda temas bem mais terrenos como as rivalidades policiais, a omnipresença de uma polícia secreta (e os livros como um último reduto de liberdade não vigiada) e o amor. Em suma, um prato cheio para esta leitora. E a repetir brevemente.   

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Conselho do dia






        Carpe diem (aproveita o dia) é uma frase retirada de um poema de Horácio (65-8 A.C.) sobre a impossibilidade de sabermos o que o futuro nos reserva e sobre como o melhor uso que fazemos do tempo que foge é aproveitá-lo o melhor possível. A expressão é também recordada no filme O Clube dos Poetas Mortos onde Robin Williams dava vida ao professor de inglês que todos gostaríamos de ter tido. 
     Aquela máxima latina parece-me sábia mas também algo inquietante. Aproveitar o dia todos os dias pressupõe uma capacidade de nos sobrepormos a uma séria de actividades quotidianas que são até prosaicas (como estar na fila do supermercado ou à espera de ser atendido num consultório médico). Mas ainda aí pode aproveitar-se o tempo o melhor possível. 
     Aproveitar o livro (carpe librum) até pode ser uma solução para esses momentos (certamente melhor do que fazermos uso desse tempo para falar ao telemóvel, obrigando todas as pessoas à volta a ter conhecimento dos nossos pequenos grandes assuntos). Afinal, para alguma coisa se inventaram os livros de bolso. Aliás, diz a lenda que Sir Allen Lane teve precisamente a ideia de os criar (através da Penguin Books) ao verificar a falta de materiais de leitura de qualidade para as suas viagens de comboio numa estação onde se apeou. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Liberté, egalité, fraternité

A liberdade guiando o povo 


Liberté, egalité, fraternité. Liberdade, igualdade, fraternidade. Os direitos que estiveram subjacentes à Revolução Francesa prelúdio de outros movimentos liberais que se estenderam à Europa e ao Mundo. 
Para quem tivesse dúvidas os acontecimentos de ontem em França demonstraram que a luta pelos direitos humanos tem de se fazer todos os dias. E é assunto de todos nós, como a reacção dos franceses também deixou claro. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A lista de Didion



Joan Didion



            Joan Didion é uma das minhas escritoras favoritas. Em Portugal a sua obra mais conhecida é O Ano do Pensamento Mágico. Mas tem uma obra muito mais vasta onde se inclui, não apenas ficção, mas também ensaios. Li pouca coisa dela, confesso. Mas acontece-me com Didion o mesmo que com Borges. Alegra-me a perspectiva das muitas horas que terei pela frente (espero) a ler o tanto do seu trabalho que ainda não conheço. Não sou muito dada a listas. Mas tenho sempre curiosidade em conhecer as dos outros, particularmente se foram relativas a livros.

            Esta é a lista de Didion quanto aos seus livros favoritos. Destaco O Adeus às Armas, O Monte dos Vendavais, Crime e Castigo, Cem anos de solidão e as novelas de Henry James (por exemplo, O Retrato de uma senhora e Washinsgton Square). Porque os destaco? Bom, como já os li e também gostei deles, caso a senhora ali de cima me aceitasse como companhia para almoçar, já teríamos assunto. 
            Quanto aos demais livros indicados (onde se incluem obras de W.H. Auden, Norman Mailer, Joseph Conrado e George Orwell) ficam bem recomendados para eventuais leituras futuras. 
           A lista completa feita à mão por Didion foi publicada pela Brainpickings