segunda-feira, 6 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
Maya Angelou
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Foi uma das grandes poetisas norte-americanas, tendo deixado poemas como Still I rise, um hino à resistência contra as adversidades da vida. Para além disso, foi também um exemplo de vida sendo os seus textos auto-biográficos de leitura compulsiva. O mais extraordinário nela é que não houve uma cisão entre o que viveu e o que pensou. Isso fá-la verdadeira. E preciosa.
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quarta-feira, 25 de março de 2015
Uma biblioteca humanista
“Em última
análise, os livros, como os homens, cruzam os países, os continentes e os
oceanos. Ser-me-ia grato, porém, sublinhar que, companheiros dos homens que os
amam, eles sabem procurar aquele que com eles conversam. Objectos nobres por
excelência, concebidos e realizados pelo génio humano, são eles que nos
procuram, são eles que nos encontram e neles podemos ter sempre a certeza de
descobrir uma palavra de conselho, de advertência e de amor!”
Estas
palavras de José Vitorino Pina Martins podem ser lidas na sua obra Histórias de livros para a história do livro.
Nela o coleccionador narra o modo como adquiriu alguns dos exemplares mais
valiosos da sua biblioteca, umas vezes por compra, outras vezes por troca com
outros livros que tinha adquirido.
A primeira
vez que ouvi falar na biblioteca de Pina Martins foi através de uma reportagem
no jornal O Independente. Ali se
falava do gosto do coleccionador por obras renascentistas e das alegrias que os
livros obtidos lhe proporcionavam. Essa felicidade foi transposta para a
exposição Uma Biblioteca Humanista – Os objectos procuram aqueles que os amam que pode ser visitada na Fundação Calouste
Gulbenkian até ao próximo dia 25 de Maio. É uma mostra pequena mas onde se
encontram não só algumas das obras emblemáticas do coleccionador, mas também os
seus papéis de trabalho e reflexões sobre a aquisição daquelas. Quando se lêem
as mesmas com atenção vemos que não é o valor económico das obras, mas antes o
seu conteúdo e a sua história que são valorizados. Mais ainda: quem já
andou a percorrer livrarias e alfarrabistas à procura de um determinado título
e teve depois a alegria de encontrar o volume pretendido pode rever-se no encanto com que Pina Martins fala dos seus livros.
segunda-feira, 23 de março de 2015
Plano de evasão
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Foi Pina Martins, reputado bibliófilo
(parte do seu espólio está em exposição na Gulbenkian) quem disse que os objectos
procuram aqueles que os amam. Eu e este livro encontrámo-nos à saída da Casa Museu Dr. Anastásio Gonçalves e já não nos largámos.
Jeff
Fuchs é explorador, montanhista e escritor. Teve a ideia de recriar o trajecto
das caravanas do chá e dos cavalos por estradas que ligam o Tibete e a China. A
rota teve como primeira viajante uma princesa chinesa dada em casamento ao rei
tibetano. Da sua bagagem faziam parte folhas de chá que conquistaram os seus
novos súbditos. Em contrapartida, os tibetanos enviavam aos chineses os seus
cavalos, cuja resistência e força eram preciosos às ambições militares do
Império do Meio. E assim se iniciou um trajecto que se tornou uma das mais
viajadas rotas orientais. Os tempos são outros mas Fuchs, em aventureiro dos
tempos modernos, decidiu fazer esta viagem com os muleteiros. Este livro é o
relato das alegrias, fadigas e perigos da viagem. Ainda estou no início e tenho
de admitir que o meu espírito aventuroso na vida real situa-se a níveis medianos.
Não me imagino a fazer a viagem de Fuchs face ao tempo de duração (oito meses)
e à resistência física que exige.Já para não falar dos perigos físicos, claro.
Mas ler as suas aventuras
foi uma forma esplêndida de terminar a noite de ontem. Ainda vou no início do
livro pelo que tenho a esperança de uma destas noites ser transportada em
sonhos para o sopé dos Himalaias, ver tudo sem grande esforço físico (a
vantagem das viagens em livro e em quimera) e regressar a tempo do pequeno-almoço.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Mal-entendido em Moscovo, Simone de Beauvoir
sexta-feira, 6 de março de 2015
O regresso da Livros do Brasil
Fundada em 1944 a Livros
do Brasil regressa hoje ao mercado com esta colectânea de contos de Truman
Capote. A mim, as capas desta editora recordam-me tardes felizes de adolescência
quando as longas férias escolares do Verão equivaliam a imenso tempo para ler.
Foi através das suas colecções que descobri autores como Virginia Woolf, Ernest
Hemingway, Érico Veríssimo e Somerset Maugham. Por isso, a notícia do seu
regresso deixou-me algo nostálgica. Mas com uma nostalgia feliz, diga-se.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Zoran Zivcovic, O grande manuscrito e O último livro
Gosto de
livros sobre livros. E foi essencialmente isso que me conduziu à compra de O Grande Manuscrito o mais recente livro
de Zoran Zivkovic´
Como se
fosse uma personagem de um dos seus livros (ou talvez de Se uma noite de inverno um viajante de Italo Calvino) senti-me
atraída pela capa misteriosa e pela promessa de mergulhar num policial
bibliófilo com elementos de fantasia.
O
protagonista de O Grande Manuscrito é
o inspector Dejan Lukic´ membro da polícia de Belgrado. O mistério que é
chamado a resolver diz respeito ao desaparecimento de uma famosa escritora a
poucos dias de entregar ao editor mais um dos seus aguardados livros. O
ambiente livresco não é passageiro na obra. Sob uma certa leveza narrativa
(apesar do acumular de cadáveres à medida que a acção avança) Zivkovic´ explora
alguns dos grandes temas do mundo editorial de hoje ao mesmo tempo que introduz
a magna questão da busca da imortalidade. E se não há poção mágica que a garanta
não poderá o segredo da vida eterna estar encerrado num livro?
O Grande Manuscrito pode ler-se
separado da demais obra de Zivkovic´. Mas, como gostei do estilo do autor e
percebi naquele livro referências a uma obra anterior, fui ler O Último Livro.
Morrer numa livraria pode ser para
muitos leitores o mais próximo possível de uma morte perfeita. Mas convém
assegurar que não se vai para o outro mundo antes da nossa hora. Na livraria
Papyrus um conjunto de mortes suspeitas convoca o Inspector Lukic´, determinado
a mostrar que a sua condição de polícia não é irreconciliável com a de leitor.
Se em O Grande Manuscrito é a imortalidade que se procura em O Último Livro há
uma piscadela de olho à leitura derradeira, ao fruto proibido, recordando O Nome da Rosa onde uma obra de
Aristóteles vai espalhando o castigo pelos leitores mais destemidos e incautos.
A escrita de Zivkovic´ é vigorosa e
clara. Embora a acção se mova numa realidade que não corresponde aos padrões
clássicos de um policial tem todos os requisitos para ser integrado no género,
ainda que com um toque de fantasia e recursos estilísticos um pouco diversos,
evidentes sobretudo no modo como o narrador se relaciona com a personagem
principal, num jogo de livro dentro do livro. Mas para além da fantasia
Zivkovic´ introduz ainda temas bem mais terrenos como as rivalidades policiais,
a omnipresença de uma polícia secreta (e os livros como um último reduto de
liberdade não vigiada) e o amor. Em suma, um prato cheio para esta leitora. E a
repetir brevemente.
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