terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Lynn Hunt, Inventing Human Rights - A History




   Este livro é um feliz exemplo de um trabalho simultaneamente instrutivo e de leitura agradável. Lynn Hunt, historiadora norte-americana e professora de História em diversas universidade, como a da Califórnia, debruça-se sobre o relevo da evolução sócio-cultural no emergir dos direitos humanos tal como hoje os conhecemos, solidificados na Declaração de Direitos Humanos de 1948. Neste quadro, escreve sobre o relevo do romance epistolar surgido no século XVII como meio de superação de barreiras sociais e de desenvolvimento da empatia, porta de entrada da preocupação com os demais. Para quem ama livros é entusiasmante descobrir como as obras do romancista inglês Richardson (Pamela e Clarissa) e Julie de Rousseau abriram a porta a um movimento imparável que nos trouxe aos nosso dias. Se dúvidas existirem sobre a importância da leitura na construção da cidadania este livro é a demonstração de que a ligação entre as duas é inequívoca. 
     A Autora debruça-se sobre a história dos Estados Unidos da América e da França, analisando as vitórias e também as lacunas de documentos como a Declaração de Independência do primeira e da Revolução Francesa. O efeito em catadupa da declaração dos direitos humanos é um dos aspectos mais interessantes da obra. A construção daqueles tem uma lógica própria e implacável. A autora explica de que modo os direitos humanos foram sendo alargados a outros grupos (como os negros e as mulheres) porque a mais elementar coerência do sistema o exigia. E também das resistências que esse alargamento foi provocando, quer no âmbito teórico, quer na prática. 
     A edição em inglês tem uma escrita fluída e cheia de conteúdo, só acessível a quem concilia conhecimentos sólidos e grande capacidade de expressão. Há uma edição em português, da Companhia das Letras.  Num momento como o que vivemos em termos mundiais, esta obra é um marco na reflexão sobre os direitos humanos e um estímulo para continuar um trabalho que está longe de estar terminado. 
   

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